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É preciso tirar algum documento para doar? A família pode impedir? Esclarecemos algumas das principais dúvidas sobre doação e transplante de órgãos.

O Brasil é referência quando o assunto é transplante de órgãos. Possuímos o maior sistema público de transplantes do mundo, sendo que mais de 90% dos procedimentos são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com informações do Ministério da Saúde. O país é o segundo maior transplantador do mundo, ficando apenas atrás dos Estados Unidos. Entretanto, podemos melhorar no que se refere ao número de doações. Separamos aqui seis dúvidas comuns sobre o tema.

1. É PRECISO TER ALGUM DOCUMENTO OU REGISTRO PARA SER DOADOR DE ÓRGÃOS?

Não. O mais importante é deixar claro para a família o seu desejo de ser doador. No Brasil, o transplante de órgãos só pode ser realizado após a autorização familiar. Não há nenhuma lei que garanta que a vontade do doador seja feita, isto é, se uma pessoa manifesta seu desejo de doar e, após sua morte, a família nega, seus órgãos não serão doados. Entretanto, se o assunto é debatido e a família tem conhecimento desse desejo, frequentemente ela autoriza a doação.

2. QUANTAS PESSOAS PODEM SER BENEFICIADAS POR UM DOADOR DE ÓRGÃOS?

Um único doador que teve morte encefálica pode ajudar até dez pessoas que estão na fila de espera do transplante. É possível doar órgãos (coração, fígado, rins, pâncreas, pulmões e pele) e tecidos (ossos, córneas e medula óssea). São realizados diversos exames para verificar a compatibilidade entre doador e receptor para aumentar a chance de cirurgias bem-sucedidas. A posição na lista de espera é definida a partir de critérios como urgência do procedimento e tempo de espera.

3. O QUE É MORTE ENCEFÁLICA?

A morte encefálica consiste na perda total e irreversível das funções cerebrais. Pela legislação, a doação de órgãos só pode ser realizada quando ela é confirmada. Algumas pessoas confundem morte encefálica com coma, mas essas são condições completamente diferentes. O coma é reversível; ou seja, a pessoa ainda pode acordar. Um paciente com morte encefálica não está em coma e não tem possibilidade de acordar novamente. O diagnóstico de morte encefálica é confiável e segue critérios específicos regulamentados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

4. A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS PODE DEIXAR O CORPO DO DOADOR DEFORMADO?

Não, a retirada de órgãos para doação é feita por uma cirurgia consolidada há muitos anos na Medicina e não causa nenhuma deformidade. Após o procedimento, a família poderá velar seu ente querido ou proceder com seus rituais normalmente.

5. É POSSÍVEL DOAR ÓRGÃOS EM VIDA?

Sim. Existem dois tipos de doadores, vivo e falecido. O doador vivo pode doar um dos rins, parte da medula óssea, parte do fígado ou do pulmão. Qualquer pessoa que concorde com a doação, desde que o procedimento não seja prejudicial à sua saúde, pode doar. Nesses casos, é preciso ter sangue compatível com o receptor e passar por avaliação médica.

Familiares de até quarto grau podem ser doadores dentro de sua própria família. Para doar para outras pessoas, é necessário autorização judicial. Já o doador falecido é aquele que teve morte encefálica (normalmente são pacientes vítimas de problemas como acidente vascular cerebral – AVC – ou traumatismo craniano, causas de morte que na maioria das vezes mantêm os órgãos em condições de serem doados).

6. QUAIS SÃO OS RISCOS PARA O DOADOR VIVO?

O doador está sujeito aos riscos normais de se submeter a uma cirurgia com anestesia geral, mas antes do procedimento são feitos exames a fim de minimizar os riscos. Veja os detalhes de doação e transplante para os principais órgãos:

Rim: A função renal pode ser realizada adequadamente por um único rim, sem que isso cause prejuízos à saúde do doador;
Fígado: Apesar de uma boa parte do fígado ser retirada, esse é um órgão que tem enorme capacidade de regeneração, o que possibilita que ele retome seu tamanho original após a cirurgia;
Pulmão: Esse transplante normalmente é feito de um doador adulto para um receptor criança, de forma que apenas um pequeno pedaço do pulmão é retirado e o doador consegue viver normalmente, exceto em casos excepcionais (por exemplo, se tiver uma profissão que exija sobremaneira esse órgão, como um nadador profissional);
Medula óssea: Existem dois métodos para doação de medula e apenas um deles é feito em centro cirúrgico, com anestesia geral. Os riscos são mínimos e a medula se recupera em poucas semanas.

Fonte: https://drauziovarella.uol.com.br/saude-publica/6-perguntas-e-respostas-sobre-doacao-de-orgaos/

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