Athletic woman running on track

Nada melhor do que se sentir bem consigo mesmo, saudável e feliz com o próprio corpo. Para isso, muitas pessoas recorrem a diversas modalidades de exercícios, vestem suas roupas, calçam o par de tênis, abastecem as garrafinhas de água e partem para o treino. Mas será que o coração está seguro em meio a tudo isso?
Infelizmente, todos os anos vemos e ouvimos casos de complicações cardíacas relacionadas ou desencadeadas pelo esporte, com gravidades que variam de leve, sem grandes repercussões, à fatais.
E é por isso que atualmente se discute muito sobre a importância da avaliação cardiológica antes do início da prática esportiva, com reavaliações individualizadas.
Surgem então algumas questões: de que maneira pode ser feita para minimizar esses riscos, identificar ou aumentar a suspeita de doenças incompatíveis temporária ou definitivamente com o esporte? Como equilibrar custo-benefício nessa investigação? Esportistas e atletas profissionais devem ser submetidos aos mesmos exames?
O início da avaliação começa no consultório, com anamnese focada na detecção de fatores de risco pessoais e familiares, observação de sinais e sintomas sugestivos de doenças cardiovasculares, pulmonares ou metabólicas, medicações de uso crônico e hábitos deletérios como tabagismo, etilismo e consumo de drogas lícitas ou ilícitas.
Informações ou queixas que podem ser um sinal de alerta para possíveis problemas cardíacos:
1) palpitação, desmaio (síncope), dor no peito, falta de ar e tontura aos esforços;
2) histórico familiar de infarto, derrame (acidente vascular cerebral), arritmia ou morte súbita;
3) histórico pessoal de cardiopatia congênita (diagnosticada durante a gravidez ou logo após o nascimento);
4) alterações no exame físico como anemia, focos infecciosos, asma, obesidade, diabetes, hipertensão, sopros cardíacos e problemas circulatórios.
A avaliação complementar pode ser realizada com:
1) ECG (eletrocardiograma) em repouso e com a pessoa deitada. Traz informações importantes como a posição do coração no tórax, ritmo e frequência cardíaca e sinais de dilatação ou de hipertrofia do músculo cardíaco;
2) RX tórax que avalia coração, pulmões, grandes artérias e veias;
3) Exames laboratoriais como hemograma, glicemia, função renal e do fígado, colesterol, tireóide, ácido úrico, urina e fezes. Faz um panorama do funcionamento do organismo;
4) Teste ergométrico: esforço físico na esteira ou bicicleta ergométrica. Detecta alterações no ECG sugestivas de isquemia ou arritmias cardíacas, queixas clínicas, frequência cardíaca, pressão arterial e capacidade cardio-respiratória. Indicado para esportistas (profissionais) e amadores com atividade de moderada a alta intensidade e/ou com fatores de risco cardiovasculares, independentemente dos sintomas.
5) Ecocardiograma transtorácico: quando houver alterações no exame físico e/ou no ECG sugestivos de cardiopatia, antecedentes pessoais ou familiares de risco;
6) Teste cardiopulmonar para avaliação de desempenho e prescrição do treinamento aeróbico.
7) Ecocardiograma com estresse ou cintilografia miocárdica: para homens > 40 anos, mulheres > 55 anos ou nos pacientes com mais de 2 fatores de risco para doença coronariana, conforme avaliação individualizada e alterações nos exames anteriores.
A escolha de quais exames complementares serão necessários varia conforme a avaliação global de risco realizada durante a consulta. Pessoas com risco aumentado necessitarão de mais exames complementares. Não são todos indicados para todas as pessoas indiscriminadamente, pois isso só aumentaria o custo sem trazer benefício real à saúde do indivíduo.
Sendo assim, o atendimento médico de qualidade consegue estimar problemas potencialmente graves e conduzir à prática esportiva mais segura.
O atestado que resume a avaliação realizada deve descrever se há ou não impedimentos à realização de atividade física amadora ou profissional, modalidade e intensidade de treino sugerida e se há algum tipo de limitação ou cuidado a ser tomado.
São alguns minutos ou horas extremamente valiosos para o cuidado com nossa saúde. Daí em diante é focar nos treinos e se superar a cada dia.

 

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